Monday, February 16, 2009

Um MEIO ou uma DESCULPA?





Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes. Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.

Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo. O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.

Não se compare à maioria, pois, infelizmente ela não é modelo de sucesso. Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chopp com batatas fritas. Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Terá de trabalhar enquanto os outros tomam Sol à beira da piscina.

A realização de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está, em verdade a ilusão é combustível dos perdedores, pois...
Quem quer fazer alguma coisa, encontra um MEIO. Quem não quer fazer nada, encontra uma DESCULPA.


Roberto Shinyashiki

Saturday, February 14, 2009

O PMDB é Corrupto - Veja - 18.02.2009

Senador peemedebista diz que a maioria dos integrantes
do seu partido só pensa em corrupção e que a eleição de
José Sarney à presidência do Congresso é um retrocesso







"A maioria se incorpora a essas coisas pelas quais os governos vêm sendo denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral"

A ideia de que parlamentares usem seu mandato preferencialmente para obter vantagens pessoais já causou mais revolta. Nos dias que correm, essa noção parece ter sido de tal forma diluída em escândalos a ponto de não mais tocar a corda da indignação. Mesmo em um ambiente político assim anestesiado, as afirmações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos, de 66 anos, 43 dos quais dedicados à política e ao PMDB, nesta entrevista a VEJA soam como um libelo de alta octanagem. Jarbas se revela decepcionado com a política e, principalmente, com os políticos. Ele diz que o Senado virou um teatro de mediocridades e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Acusa o ex-governador de Pernambuco: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção".

O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?
É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.

Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.
Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.

Como o senhor avalia sua atuação no Senado?
Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan (Calheiros, ex-presidente do Congresso que usou um lobista para pagar pensão a uma filha). Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido. O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante.

O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB...
Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.

O senhor é um dos fundadores do PMDB. Em que o atual partido se parece com aquele criado na oposição ao regime militar?
Em nada. Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o inconformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.

Para que o PMDB quer cargos?
Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.


Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista?
De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado.

Por que o senhor continua no PMDB?
Se eu sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo, ao lado das poucas pessoas sérias que ainda existem hoje na política.

Lula ajudou a fortalecer o PMDB. É de esperar uma retribuição do partido, apoiando a candidatura de Dilma?
Não há condições para isso. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.

O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso?
Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.

A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado.
O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.

Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.
O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.

O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes?
Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.

A oposição está acuada pela popularidade de Lula?
Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.

Para o senhor, o governo é medíocre e a oposição é medíocre. Então há uma mediocrização geral de toda a classe política?
Isso mesmo.A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil.

Por que há essa banalização dos escândalos?
O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?". Sofri isso na pele quando governava Pernambuco.

É possível mudar essa situação?
É possível, mas será um processo longo, não é para esta geração. Não é só mudar nomes, é mudar práticas. A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.

Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff?
A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.

O senhor parece estar completamente desiludido com a política.
Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.


Resumo:

“Da extensa lista das peculiaridades brasileiras, três itens se destacam: o samba, a jabuticaba e o PMDB. México e Argentina, para ficar em alguns exemplos, já penaram sob partidos tão fortes quanto corruptos, mas a agremiação nacional, a maior do país, é um caso à parte. Seu amor pelo dinheiro público – o nosso dinheiro, para ser mais exato – é tão grande, tão magnético, tão irresistível que o PMDB abdicou de almejar a Presidência da República, a aspiração suprema de qualquer partido político, para vender seu apoio a outras siglas e, assim, continuar a fazer negócios nos ministérios e demais repartições federais. Seja no plano federal, estadual ou municipal, o objetivo principal do PMDB tornou-se o mesmo: cair na folia com o dinheiro público, como se ele crescesse em jabuticabeiras.
Nessa geléia (de jabuticabas), porém, o PMDB se destaca pela constância dos métodos e pela durabilidade da delinquência. O partido é hoje para a corrupção na política o que a ‘inflação inercial’ foi para a economia até o advento do Plano Real – ou seja, a força motriz das malfeitorias de um regime ao seguinte, de um governante a seu sucessor, sejam quais forem suas cores ideológicas.”
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Saturday, September 27, 2008

Somos um país de analfabetos

"A verdadeira democracia tem de oferecer
a todos o direito de saber ler e escrever,
pensar, questionar e escolher"





Segundo pesquisa do confiável IBGE, estamos num vergonhoso lugar entre os países da América Latina, no que diz respeito à alfabetização. O que nos faltou e tanto nos falta ainda? Posso dizer que tem sobrado ufanismo. Não somos os melhores, não somos invulneráveis, somos um país emergente, com riquezas ainda nem descobertas, outras mal administradas. Somos um povo resistente e forte, capaz de uma alegria e fraternidade que as quadrilhas, o narcotráfico e a assustadora violência atuais não diminuem. Um povo com uma rara capacidade de improvisação positiva, esperança e honradez.

O sonho de morar fora daqui para escapar não vale. Na velha e sisuda Europa não há um sol como este. Recordo meu espanto na primeira estada por lá, num verão, vendo o sol oblíquo e pálido. Lá não se ri, não se abraça como aqui. Eles trabalham mais e ganham mais, é verdade. A pobreza por lá é menos pobre porque, se fosse miserável, morreriam todos de frio na primeira nevasca. O salário-desemprego é tão bom que, infelizmente, muitos decidem viver só com ele: o mercado de trabalho lá também é cruel, e com os estrangeiros, nem se fala. Em muitas coisas somos muito melhores.

Mas somos um país analfabeto. Alfabetizado não é, já disse e escrevo freqüentemente, aquele que assina seu nome, mas quem assina um documento que leu e compreendeu. A verdadeira democracia tem de oferecer a todos esse direito, pois ler e escrever, como pensar, questionar e escolher, é um direito. É questão de dignidade. Quando eu era professora universitária, na década de 70, já recebíamos nas faculdades vários alunos que mal conseguiam escrever uma frase e expor um pensamento claro. "Eu sei, mas não sei dizer nem escrever isso" é uma desculpa pobre. Não preciso ser intelectual, mas devo poder redigir ao menos um breve texto decente e claro. Preciso ser bem alfabetizado, isto é, usar meu instrumento de expressão completo, falado e escrito, dentro do meu nível de vida e do nível de vida do meu grupo.

Para isso, é essencial uma boa escola desde os primeiros anos, dever inarredável do estado. Não me digam que todas as comunidades têm escolas e que estas têm o necessário para um ensino razoável, para que até o mais pobre e esquecido no mais esquecido e pobre recanto possa se tornar um cidadão inteiro e digno, com acesso à leitura e à escrita, isto é, à informação. Um sujeito capaz de fazer boas escolhas de vida, pronto para se sustentar e que, na grave hora de votar, sabe o que está fazendo. Enquanto alardeamos façanhas, descobertas, ganhos e crescimento econômico, a situação nesse campo está cada vez pior. Muito menos pessoas se alfabetizam de verdade; dos poucos que chegam ao 2º grau e dos pouquíssimos que vão à universidade, muitos não saem de lá realmente formados. Entram na profissão incapazes de produzir um breve texto claro. São desinteressados da leitura, mal falam direito. Não conseguem se informar nem questionar o mundo. Pouco lhes foi dado, pouquíssimo lhes foi exigido.

A única saída para tamanha calamidade está no maior interesse pelo que há de mais importante num país: a educação. E isso só vai começar quando lhe derem os maiores orçamentos. Assim se mudará o Brasil, o resto é conversa fiada. Investir nisso significa criar mais oportunidades de trabalho: muito mais gente capacitada a obter salário decente. Significa saúde: gente mais bem informada não adoece por ignorância, isolamento e falta de higiene. Se ao estado cabe nos ajudar a ser capazes de saber, entender, questionar e escolher nossa vida, é nas famílias, quando podem comprar livros, que tudo começa. "Quantos livros você tem em casa, quantos leu este mês? E jornal?", pergunto, quando me dizem que os filhos não gostam de ler. Família tem a ver com moralidade, atenção e afeto, mas também com a necessária instrumentação para o filho assumir um lugar decente no mundo. Nascemos nela, nela vivemos. Mas com ela também fazemos parte de um país que nos deve, a todos, uma educação ótima. Ela trará consigo muito de tudo aquilo que nos falta.

Lya Luft é escritora

Saturday, August 16, 2008

Abandonada no Campo de Centeio

Ex-namorada de Salinger revela esquisitices
do autor em um volume de memórias




Depois de passar vários anos lidando com a rejeição de editores, o escritor americano J.D. Salinger finalmente conseguiu publicar seu primeiro livro em 1951. O romance se chamava O Apanhador no Campo de Centeio e, para surpresa dos detratores do autor, transformou-se instantaneamente em clássico. Com seu protagonista rebelde, sua linguagem coloquial, seu retrato saboroso da idade dos distúrbios hormonais, o romance ganhou os adolescentes do mundo assim como O Pequeno Príncipe arrebata legiões de leitores infantis. Mas, em vez de saborear o sucesso, Salinger disse basta. Corria o ano de 1965 quando ele fechou a porteira de seu rancho na cidadezinha de Cornish, trancou seus inéditos num cofre e não deu mais notícias ao mundo. Nenhuma obra sua foi publicada desde então. Imprensa, reportagens, fãs — adeus! A curiosidade alheia se tornou o flagelo de Salinger, que luta com unhas e dentes para defender sua privacidade diante da ameaça dos bisbilhoteiros. Há dez anos, por exemplo, um estudioso descobriu algumas de suas cartas de juventude. Salinger o processou e impediu que as publicasse. No próximo mês de outubro, porém, uma obra cheia de revelações bombásticas deverá vir à luz. Sua autora é Joyce Maynard, ex-namorada do famoso recluso. E será difícil pará-la. "Tivemos todos os cuidados legais", diz Linda McFall, executiva da editora Picador, que prepara o lançamento de At Home in the World (Em Casa no Mundo) nos Estados Unidos.

O romance entre Joyce e Salinger durou só nove meses, entre 1972 e 1973. Quando começou, ela não era mais que uma ninfeta de QI elevado. Tinha 18 anos, era caloura da Universidade Yale e havia escrito uma reportagem de capa para a revista do New York Times. O artigo causou frisson. Entre as mensagens de elogio, surpresa: uma carta de J.D. Salinger, a estrela da ficção americana, um dos 25 autores mais lidos na história do país. Os dois engrenaram na troca de correspondência. Salinger, com 53 anos, pedia que ela o chamasse de Jerry e dissertava sobre homeopatia e enlatados de TV. Depois de alguns meses, Joyce mudou-se de mala e cuia para a fazenda de Cornish. Nos episódios do livro que foram antecipados, Salinger aparece alternadamente como um homem gentil e cruel, esquisito e implacável.

A gentileza se manifesta no tato com que ele reagiu a certos problemas de sua amada, que a impediam de consumar o ato sexual. A crueldade, na maneira seca com que pronunciava frases do tipo: "Você está ridícula". A esquisitice tinha a ver com seus hábitos: ele causava vômitos em si mesmo (e em Joyce) cada vez que tinha de ingerir alimentos "impuros", fazia sessões diárias de meditação e era adepto de terapias alternativas. Mas sua obsessão era mesmo a privacidade. Salinger dizia a Joyce que publicar livros era um "negócio sujo" e por isso escondia no cofre dois romances já terminados. Quando sentiu que a presença da moça punha em perigo seu santuário, foi inflexível. Mandou-a embora. Ponto.

Ao revelar esses fatos, Joyce Maynard alimenta a bolsa de fofocas, mas acrescenta pouco à compreensão literária de seu ex-par romântico. No máximo demonstra que ele deixou para trás os bons sentimentos contidos em O Apanhador no Campo de Centeio. Afinal, o romance afirma: "Bom mesmo é o livro que, quando a gente acaba de ler, faz com que queiramos ser um grande amigo do autor, para poder telefonar para ele toda vez que der vontade". Nem pense nisso com Salinger.

Saturday, August 09, 2008

Por uma sociedade justa e eficiente - Stephen Kanitz - Veja

Que sociedade é mais justa, aquela que valoriza as boas
intenções e o esforço ou aquela que valoriza os resultados?
Uma boa pergunta para começar a discutir no retorno às aulas







No primeiro ano de faculdade aprendi um truque que muito me auxiliou na hora de obter notas melhores. Descobri que, numa prova na qual cai um tema que você não estudou, que o pegou de surpresa, sobre um assunto de que você não sabe absolutamente nada, o melhor é não entregá-la em branco, que seria a coisa mais lógica e correta a fazer. Nessas horas, escreva sempre alguma coisa, preencha o papel com abobrinhas, pois, quanto maior o número de páginas, melhor. Isso porque existem dois tipos de professor no Brasil: um deles é formado pelos que corrigem de acordo com o que é certo e errado. São geralmente professores de engenharia, produção, direito, matemática, recursos humanos e administração. Escrever que dois mais dois podem ser três ou doze, dependendo "da interpretação lógica do seu contexto histórico desconstruído das forças inerentes", não comove esse tipo de professor. Ele dá nota dependendo do resultado, e fim de papo.

Mas, para a minha alegria, e agora também para a sua, existe outro tipo de professor, mais humano e mais socialmente engajado, que dá nota segundo o critério de esforço despendido pelo aluno e não apenas pelo resultado. Se você escreveu dez páginas e disse coisas interessantes, mesmo que não pertinentes ao tema, ficou as duas horas da prova até o fim, mostrou esforço, ganhará uns pontinhos, digamos uma nota 3 ou até um 3,5. O que pode ser a sua salvação. Na próxima prova você só precisará tirar um 6,5 para compensar, e não uma impossível nota 10. Se você estudar um mínimo e usar esse truque, vai tirar um 5.

Uma vez formados, os alunos desse tipo de professor são muito fáceis de identificar. Seus textos são permeados de abobrinhas e mais abobrinhas, cheios de platitudes e chavões. Defendem que a renda deve ser distribuída pelo esforço, e não pelo resultado, e que toda criança que compete deve ganhar uma medalha. Defendem que todo professor de universidade deve ganhar o mesmo salário, independentemente da qualidade das aulas, e que a solução para a educação é mais e mais verbas do governo, sem nenhuma avaliação de desempenho.

Esses dois tipos de professor obviamente não se bicam. É a famosa briga da turma da filosofia contra a turma da engenharia. São as duas grandes visões políticas do mundo, é a diferença entre administração pública e privada. O que é mais justo, remunerar pelo esforço de cada um ou pelos resultados alcançados? O que é mais correto, remunerar pela obediência e cumprimento de horário ou pelas realizações efetivas com que cada um contribuiu para a sociedade?

Como o Brasil ainda não resolveu essa questão, não podemos discutir o próximo passo, que são as injustiças da opção feita. É justo só remunerar pelo resultado? É justo remunerar somente pelo esforço? Podemos até escolher um meio-termo, mas qual será a ênfase que daremos na educação dos nossos filhos e na avaliação de nossos trabalhadores? Ao esforço ou ao resultado?

Quem tentou ser útil à sociedade mas fracassou teria direito a uma "renda mínima"? É justo dar 3,5 àqueles cujo esforço foi justamente enganar seus professores e o "sistema"? Não seria justo dar-lhes um sonoro zero? Precisamos optar por uma sociedade justa ou por uma sociedade eficiente, ou podemos ter ambas?

Como aluno, eu tive de me esforçar muito mais para as provas daqueles professores carrascos, que avaliavam resultados, do que para as provas dos professores mais bonzinhos. Quero agradecer publicamente aos professores "carrascos" pela postura ética que adotaram, apesar das nossas amargas críticas na época. Agora entendo por que tantos de nossos cientistas e professores pertencem à Academia de Letras, por que somos o último país do mundo em termos de patentes, por que tantos brasileiros recebem sem contribuir absolutamente nada para a sociedade e por que nossos políticos falam e falam e não realizam nada.

Que sociedade é mais justa, aquela que valoriza as boas intenções e o esforço ou aquela que valoriza os resultados? Uma boa pergunta para começar a discutir no retorno às aulas.

Monday, August 04, 2008

Sobre o meu pai Arthur - Lya Luft






"Seu olho verde faiscava de brabeza ou transbordava
de afeto. O rumor de seu passo no corredor botava o
meu mundo em ordem. Sua risada era aberta e franca,
seu abraço era cálido, sua alegria, generosa"



Nesta coluna homenageio meu pai Arthur, que morreu quando eu tinha 35 anos, e de quem, 35 depois, ainda recordo todos os dias, pelo seu legado de carinho, justiça, integridade e proteção, que até agora me dá força quando preciso dela (preciso muitas vezes). As propagandas em torno do Dia dos Pais, se irritam pela comercialização (para quem deseja isso) em torno do afeto, servem de lembrete a quem anda esquecido do seu pai.

Então tenho lembrado com mais intensidade do meu, que era severo e terno. Seu olho verde faiscava de brabeza ou transbordava de afeto. O rumor de seu passo no corredor botava o meu mundo em ordem. Sua risada era aberta e franca, seu abraço era cálido, sua alegria, generosa. Tinha momentos de melancolia, em que fitava um ponto distante longo tempo sem falar. Seu amor pela família foi talvez seu traço mais marcante. Ensinou-me o nome das árvores do jardim e os cuidados com elas, para que dessem frutas doces. Transmitiu-me a noção do sagrado das coisas e das pessoas. Gostava de tranqüilidade, meu pai Arthur. Recusou sistematicamente os convites para deixar nossa pequena cidade e assumir cargos importantes. Era atento e compreensivo, ajudou fugitivos da II Guerra, levava cobertores ou remédio aos pobres, aconselhava amigos e desconhecidos que vinham lhe pedir orientação. Lembro-me do que relatou alguém que o procurou em casa, e ele, interrogado sobre sua vasta biblioteca, apontou os livros e disse com simplicidade: "Eles são meus amigos".

Era também exigente, meu pai Arthur. Aborrecia-se com meu boletim invariavelmente medíocre, porque eu não gostava de estudar: queria ficar em casa, lendo em meu quarto ou debaixo de alguma árvore, e achava as regras de disciplina da escola antes cômicas do que respeitáveis. Além de negligente na escola, em casa não conseguia ser a menina prendada que minha mãe desejava.

Não podia competir com suas sobrinhas ou filhas de amigas, num tempo em que ser prendada era importante (para mim, era bobagem): meus bordados saíam tortos, minha incapacidade de arrumar a cama era patética, meu horror à cozinha era vergonhoso, eu respondia mal à minha mãe, ou lhe mostrava a língua. Era um desastre, e me sentia assim. Quando as queixas de mãe e professores se tornaram excessivas, ele me pôs num internato. "Para o seu bem", ele disse. Não esqueço a dor daquele dia e dos outros, nem a minha gratidão quando, dois meses depois, em uma visita, anunciei que se ele não me tirasse dali eu morreria, e ele me levou para casa. Por essa, e tantas outras coisas, dediquei-lhe especialmente um de meus livros, dizendo: "A meu pai Arthur, para quem eu não era só uma criança: eu era uma pessoa". Ainda falo com ele, recorro a ele em minhas aflições, pedindo que, como fez em vida, me ajude em minhas trapalhadas. (Não sei como, mas ele ajuda.)

Nele, antecipando o Dia dos Pais que se aproxima, homenageio todos os pais que não vão ter o carinho dos filhos pequenos ou adultos, nem um telefonema alegre, nem um almoço ruidoso, nem mesmo um recado. Homenageio os pais que ficarão sozinhos fingindo que não faz mal, que filho é assim mesmo, que a vida é assim. Não é assim. Em meu pai Arthur, homenageio os pais que não puderam estar sempre junto de seus filhos porque, longe, precisavam garantir o seu sustento; que foram relegados quando não tinham mais dinheiro ou saúde; criticados quando quiseram buscar alguma felicidade; ou que, sem entender, foram declarados dispensáveis e desimportantes.

Não posso esquecer aqui aqueles pais que perderam um filho ou filha, na dor que não se cura com nada. Mas penso também nos pais alegres, nos pais carinhosos, nos pais protetores, parceiros, guerreiros, nos pais que têm sorte, e que nesse dia especial receberão abraços, telefonemas, torpedos, churrascos, conversas, sorrisos ou mesmo um bilhete em letra infantil – como aqueles que tantas vezes, na minha distante infância, deixei no bolso do paletó ou no prato do café-da-manhã de meu pai Arthur.

Thursday, June 12, 2008

HONRAR PAI E MÃE - Ponto de vista - Lya Luft.



"Pais bonzinhos são tão danosos quanto pais
indiferentes: o amor não se compra com presentes,
nem fingindo não saber, desviando o olhar quando
ele devia estar vigilante"


Se as relações familiares não fossem intrinsecamente complicadas, não existiria o mandamento "Honrarás pai e mãe". Comentário de grande sabedoria. Assunto inesgotável. Como educar, como cuidar neste mundo maravilhoso e tresloucado, com tanta sedução e tanta informação – um mundo no qual, sobretudo na juventude, nem sempre há o necessário discernimento para escolher bem?


Saber distinguir o melhor do pior, ser capaz de observar e argumentar, são o melhor legado que família e escola podem dar. Na família, fica abaixo só do afeto e da segurança emocional. Na escola, importa mais do que o acúmulo de informações e o espaço das brincadeiras, num sistema que aprendeu erroneamente que se deve ensinar como se o aluno não tivesse de aprender. Fora disso, meus caros, não há salvação. Isso e professores supervalorizados e bem pagos, escola para todos – não mais milhões de crianças e jovens em casas cujo pátio é barro misturado a esgoto, ou na rua, com o crack e a prostituição. Um ensino que dê muito e exija bastante: ou caímos na farra e no despreparo para a vida, que inclui graves decisões pessoais e um mercado de trabalho cruel.

Bem antes da escola vem o fundamental, o ambiente em casa, que marca o indivíduo pelo resto de sua jornada. Se esse ambiente for positivo, amoroso, a criança acreditará que amor e harmonia são possíveis, que ela pode ter e construir isso, e fará nesse sentido suas futuras escolhas pessoais. Se o clima for de ressentimento, frieza, mágoas ocultas e desejos negativos, o chão por onde o indivíduo vai caminhar será esburacado. Mais irá tropeçar, mais irá quebrar a cara e escolher para si mesmo o pior.

Dificuldades familiares não têm a ver só com o natural conflito de gerações, mas também com a atitude geral dos pais. Eles têm entre si uma relação de lealdade, carinho, alegria? São realmente interessados, tentam assumir suas responsabilidades grandes e difíceis? Foi-se o patriarcado, em que havia regras rígidas. Eu não quereria estar na pele dos infratores de então, os filhos que ousavam discordar. Em lugar da anterior rigidez e distância, estabeleceu-se a alegre bagunça, com mais demonstrações de afeto, mais liberdade, mais respeito pelas individualidades – muitas vezes com resultados dramáticos. Lembro a frase que já escrevi nesta coluna, do psicólogo que me revelou: "A maior parte dos jovens perturbados que atendo não tem em casa pai e mãe, tem um gatão e uma gatinha". Talvez tenham uma mãe que não troca cabeleireiro e academia por horas de afeto com os filhos, ou um pai que corre atrás do dinheiro necessário para manter a família acima de suas possibilidades, por ilusão sua ou desejo de status de uma mulher frívola.

Crianças de 11 anos freqüentam festinhas em que rola o inenarrável: onde estão pai e mãe? Adolescentezinhos rodam de madrugada pelas ruas, dirigindo bêbados ou drogados: onde estão pai e mãe? Quase crianças passam fins de semana em casas de serra e praia reais ou fictícios, com adultos irresponsáveis ou só entre outras crianças, transando precocemente, drogando-se, engravidando, semeando infelicidade, culpa, desorientação pela vida afora. Onde estão os pais?

Ter filho é talvez a maior fonte de alegria, mas também é ser responsável, ah sim! Nisso sou rigorosa e pouco simpática, eu sei. Esse é o dilema fundamental numa sociedade que prega a liberalidade, o "divirta-se", o "cada um na sua", como num pré-apocalipse. Mais grave ainda num momento em que a honradez de figuras públicas (que deveriam ser nossos guias e modelos) é quase uma extravagância. Pais bonzinhos são tão danosos quanto pais indiferentes: o amor não se compra com presentes, nem permitindo tudo, nem fingindo não saber ou não querendo saber, muito menos desviando o olhar quando ele devia estar vigilante. Quem ama cuida: velho princípio inegável, incontornável e imortal, tantas vezes violado.

Thursday, April 10, 2008

Sempre um pouco de nostalgia...






The stuff that dreams are made of
(Carly Simon)

Take a look around now
Change the direction
Adjust the tuning
Try a new translation
Dont look at your man in the same old way
Take a new picture
Just because you dont see shooting stars
Doesnt mean it isnt perfect
Cant you see...

Its the stuff that dreams are made of
Its the slow and steady fire
Its the stuff that dreams are made of
Its your heart and souls desire
Its the stuff that dreams are made of

So whats this about your best friend?
Shes got a brand new shiny boy
And theyre moving out to malibu
To play with all his pretty toys
And you feel closed in by the same four walls
The same old conversation
With the same old guy youve know for years
But use your imagination
And you will see....

Its the stuff that dreams are made of
Its the slow and steady fire
Its the stuff that dreams are made of
Its your heart and souls desire
Its the stuff that dreams are made of

What if the prince on the horse in your fairytale
Is right here in disguise
And what if the stars youve been reaching so high for
Are shining in his eyes

Dont look at yourself in the same old way
Take another picture
Shoot the stars off in your own backyard
Dont look any further
And you will see
Its the stuff that dreams are made of....

Tuesday, April 08, 2008

Chevrolet Cadet - Uma história inacabada...




Terminada a II Guerra mundial, os dirigentes da General Motors, recordando-se da crise que se seguira ao conflito de 1914/18, pensaram em lançar no mercado um automóvel econômico. Uma grande equipe de projetistas, capitaneada por Earl McPherson construiu numerosos protótipos, e a GM preparou um novo estabelecimento industrial perto de Cleveland para produzir o carro em série. Entretanto a demanda por veículos considerados normais permaneceu num nível bastante satisfatório, e a esperada crise não se concretizou. A Chevrolet decidiu então fabricar um carro também totalmente renovado, mas seguindo os cânones tradicionais, e que seria o embrião dos famosos Bel Air, Impala e Caprice.


Quais eram as tais características deste automóvel, denominado Cadet: A utilização pioneira da hoje tão difundida suspensão McPherson, aros de roda de apenas 12 polegadas, e eixo de transmissão em duas partes. Após a embreagem havia um torque tube, que iria estender-se até o centro do assento dianteiro, onde alojava-se o cambio, sendo seguido por um curto cardan até o eixo traseiro. Possuia ainda um motor 6 cilindros de 2200 cilindradas, utilizado posteriormente nos primeiros Holden produzidos na Australia. Seu peso ao redor de 1000 Kg., foi conseguido graças a utilização dos sistema unibody, ou como nós mais conhecemos monobloco.

O preço alvo do novo veículo deveria situar-se abaixo de 1000 dólares, sendo que os então mais baratos Chevy e Ford tinham preços a partir de 1050 dólares. Como o projeto do veículos consumiu 7 milhões de dólares e a expectativa para que vendesse 300 mil veículos por ano para tornar-se rentável não se mostrasse plausível, o projeto foi sendo morto por inanição. Earl McPherson foi para a Ford, onde em 1951 foi lançado o primeiro Ford Consul, incorporando a simplificada e famosa suspensão. O mesmo lay-out seguiram os Ford Vedette franceses, e que mais tarde viriam a tornar-se os Simca Chambord, porta de entrada da suspensao no Brasil.

A GM americana simplesmente esqueceu o projeto, inclusive destruindo os protótipos em 1968, fazendo seu primeiro uso da “McPherson” apenas em 1980, com os Chevrolet Citation, e que inexplicavelmente também tinham rodas de apenas 13 polegadas, para um carro de mais de uma tonelada, e com tração dianteira.





Mais informações em inglês, podemos conseguir no blog abaixo, que reproduz artigo do excelente Karl Ludvigsen, um repórter que nos anos 70 fez inúmeras reportagens reproduzidas pela revista Quatro Rodas.


http://blog.hemmings.com/index.php/2008/04/06/sia-flashback-the-truth-about-chevys-cashiered-cadet/



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Tuesday, March 25, 2008

O silencio...


Há pessoas silenciosas que são muito mais interessantes que os melhores oradores.
Benjamin Disraeli

O silêncio é um espião.
Mário Quintana

A necessidade cada vez mais aguda de ruído só se explica pela necessidade de sufocar alguma coisa.
K. Lorenz

O silêncio que aceita o mérito como a coisa mais natural do mundo constitui o mais retumbante aplauso.
Ralph Waldo Emerson

Em determinadas situações, o silêncio é a melhor resposta.
Ramalho Campelo

O silêncio é um dos argumentos mais difíceis de refutar.
Josh Billings

O silêncio que ninguém ouviu, foi a primeira coisa que se viu.
Arnaldo Antunes

Poucas pessoas sabem o momento psicologicamente exato de ficarem caladas.

O silêncio é mais eloqüente que as palavras.
Carlile

Fique calado e em segurança; o silêncio nunca o trairá.
O’Reilly

Arrependo-me muitas vezes de ter falado; nunca de ter silenciado.
Ciro

Abençoados os que nada têm a dizer e não se deixam persuadir a dizer.
James Russel Lowell

Muitas coisas não merecem ser ditas e muitas pessoas não merecem que as outras coisas lhe sejam ditas: o resultado é muito silêncio.
Henri de Montherlant

É uma calamidade não possuir bastante espírito para falar bem, nem bastante bom senso para ficar em silêncio.
La Bruyère

Se nos mantivermos calados, pensarão que somos filósofos.

Ele tinha momentos ocasionais de silêncio que tornavam sua conversa um prazer.
Sydney Smith

Saturday, March 08, 2008

Uma "Grande Mulher"

Nós brincamos muito, fazemos piadinhas, damos uma de superiores e de donos do pedaço, porém, sem elas seríamos, perdoe-me a expressão, uns bostas.

A Danielle deveria ter sido a presidente de todos os franceses.

Texto de Danielle Miterrand,esposa do ex-presidente François Miterrand, ao povo francês, após ter recebido críticas impiedosas por ter permitido a presença da amante do marido e de sua filha, Mazarine,na cerimônia fúnebre.





"Antes de mais nada devo deixar claro que não é um pedido de desculpas.Muito menos um enunciado de justificativas vãs,comum aos covardes ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros.

Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma existência que é um sulco bem traçado e profundo, já não mais preciso, e nem devo, correr atrás de possíveis enganos.

Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e que as usências são lindas expressões de perenidade e criação.

Sombras e ausências podem ser tudo,ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados,os mais jovens.

Vivi com François 51 anos;estive com ele em muito desse tempo e me coloquei sempre.Há mulheres que não se colocam,embora estejam; que não se situam embora componham o cenário da situação resumível Uma vida de altos e baixos.

Na época da Resistência nunca sabíamos onde iríamos passar a noite - se na cama, na prisão, nos bosques ou estendidos por toda a eternidade.uando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a consciência de que é preciso viver depressa. Concentrar talvez seja a palavra. Por isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua complexidade,com as variações de sua pessoa e não de seu caráter...Quem entende ou, pelo menos luta para compreender as variações do outro,o ama realmente.E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou.Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro,familiar ou irmão.Ou jamais os conhecemos, o eu também,não é um engano.Quem não conhece, não tem enganos.Nas variações do outro, não cabe o apaziguador tudo antes do tempo em forma de tranqüilidade.Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não, enfastiada.

Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante quanto da política.Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar,se encantar com outras pessoas, sem deixar de me mar.

Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois,com o passar dos anos, amar de forma diferente.

Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar,também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d'água que se incorpora ao nosso lago.

Simone de Beauvoir (*)dizia bem, que temos amores necessários e amores contingentes ao longo da vida.

Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem: - "Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderia ir ao enterro porque a mulher dele não aceitava.

É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno,lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo.

Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas,fragilidades, divisões e pequenas paixões.

Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo" .

Deus não prometeu Dias sem Dor; Risos sem Sofrimentos; Sol sem Chuva. Ele prometeu Força para o Dia; Conforto para as Lágrimas e Luz para o Caminho..."






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Saturday, December 08, 2007

As sombras do passado - Rosane na "veja"




Ninguém assistiu à ascensão e queda do ex-presidente Fernando Collor de uma posição mais privilegiada que a de Rosane Malta Collor. Nascida em Canapi, no sertão alagoano, Rosane casou-se com Collor aos 19 anos de idade, quando ele ainda era um inexpressivo deputado federal por Alagoas. Collor, como se sabe, elegeu-se governador do estado e, três anos depois, atingiu o ápice da carreira de qualquer político – a Presidência da República. Rosane estava ao lado de Collor quando ele subiu a rampa do Palácio do Planalto e, quase três anos depois, também o acompanhava, de mãos dadas, quando ele deixou o governo e entrou para a história como o primeiro presidente a sofrer um processo de impeachment. Rosane Collor nunca contou publicamente o que testemunhou então. Na semana passada, quinze anos depois, ela rompeu o silêncio. Separada de Collor há três anos, não se sente mais obrigada a ocultar segredos dos tempos de primeira-dama. Em entrevista a VEJA, ela conta detalhes dos momentos mais tensos do governo do marido na ótica de uma ex-esposa. Rosane fala da relação do ex-presidente com o tesoureiro entesourador Paulo César Farias, o PC, conta como ele reagiu às denúncias do irmão, diz que teve medo de Collor tentar o suicídio e detalha as incursões do primeiro-casal no terreno da magia negra. O depoimento de Rosane revela ainda um lado desconhecido da personalidade do ex-presidente: ciumento, ele mantinha a esposa sob permanente vigilância e, certa vez, chegou a acusá-la de manter um caso extraconjugal. Não eram raras as situações em que, contrariado, tinha explosões de fúria que levaram a mulher a suspeitar de que alguma coisa pudesse estar interferindo em seu comportamento. O casal ficou três meses separado durante a Presidência. Rosane Collor só se nega a falar, por enquanto, de um assunto: o destino dos milhões de dólares que a parceria entre o hoje senador Fernando Collor e PC Farias teria produzido.

Veja – A saída do presidente Collor e da senhora do Palácio do Planalto, há quinze anos, foi o maior desafio institucional enfrentado pelo país desde a volta à democracia. Como foram os minutos que antecederam aquele momento?
Rosane – Quando a Câmara dos Deputados votou o impeachment, eu estava na Casa da Dinda. Fernando pediu para ficar sozinho no gabinete presidencial. Não queria ninguém na sala dele. Ele me ligava a cada minuto, a cada voto. Dizia: "Quinha, esse cara jantou aí em casa, falou que votaria contra e acaba de votar a favor". No último voto, quando viu que não havia mais jeito, ele me disse: "Está perdido". Pedi para ele ter calma e não fazer nenhuma besteira. Em seguida, determinei a um assessor que não o deixassem só e que o trouxessem para casa.
Veja – O que ele lhe disse quando chegou em casa?
Rosane – Fernando desceu do helicóptero, beijou meu rosto e começou a chorar. Passamos uma noite terrível. Dormimos apenas uma hora. Ele estava destruído. Dois dias depois, voamos até o Palácio do Planalto para a cerimônia oficial da saída da Presidência. Havia manifestantes vaiando e gritando palavrões horríveis. O cerimonial ficou com medo de que arremessassem ovos e tomates. Queriam que saíssemos pelos fundos. Queriam humilhá-lo mais ainda.


Veja – O presidente e a senhora embarcaram em um helicóptero e foram para a Casa da Dinda. O que conversaram nesse trajeto?
Rosane – Fernando me disse que tinha um último desejo. Queria ver uma escola que estava sendo construída nas proximidades da Casa da Dinda. Estávamos sentados no banco de trás do helicóptero. Fernando fez esse pedido. Sem nem consultar o piloto, o ajudante pediu desculpas e informou que não havia gasolina. Fernando chorou. Foi o momento em que ele teve consciência de que não era mais presidente da República.

Veja – Entre a saída do Planalto, em setembro de 1992, e a renúncia ao mandato, em dezembro do mesmo ano, passaram-se três meses. Como foi esse período?
Rosane – Trocamos a noite pelo dia. Dormíamos às 6 horas da manhã e acordávamos à 1 da tarde. Fernando passou esse tempo todo trabalhando em sua defesa. Não saíamos de casa. Passamos a tomar remédios para dormir. Ele perdeu 14 quilos e eu, 10. Também comecei a temer pela vida dele.


Veja – Como assim? O presidente pensou em se suicidar?
Rosane – Fiquei com muito medo de que isso pudesse acontecer. Fernando era muito forte, mas ficou arrasado. Quando ele se levantava para ir ao banheiro, eu ia atrás. Tinha medo de que ele fizesse uma besteira. Havia duas ou três armas em casa. Mandei esconder tudo.


Veja – Qual foi o momento mais difícil?
Rosane – Foi quando o Pedro Collor fez as denúncias contra a gente. Além do caráter político, havia uma questão familiar muito importante em jogo. A mãe do Fernando, dona Leda Collor, morreu por causa disso. Dona Leda tinha pressão alta e tomava remédios controlados.


Veja – Pedro Collor desconfiava que o presidente assediava sua mulher, Thereza. A senhora acha que foi essa a razão que o levou a denunciar o irmão?
Rosane – Não acredito nisso. Eles se desentendiam desde que nasceram. Pedro, assim como Fernando, tinha um temperamento muito forte. Eles simplesmente não conseguiam conviver. Não lembro de um Natal que Fernando tenha passado com a família dele em 21 anos de casamento. Além disso, o Paulo César Farias montou um jornal em Maceió para concorrer com o jornal que pertencia à família do Fernando e era dirigido pelo irmão. Isso deixou o Pedro irado. Ele achava que o Fernando estava por trás do jornal do Paulo César.Veja – E não estava?
Rosane – Estava. Algumas vezes o Fernando queria colocar uma matéria no jornal e o Pedro não permitia. Ele tinha inveja do irmão.


Veja – A senhora e o presidente passaram um período rompidos durante o governo. Collor inclusive fez questão de aparecer em público sem aliança. O que ocorreu?
Rosane – Aconteceram duas coisas ao mesmo tempo. Fernando passou a reclamar do meu trabalho na Legião Brasileira de Assistência (LBA). Aos 25 anos, comecei a chamar a atenção da mídia. Os artistas gostavam de mim, e dele, não. Ele começou a ter muito ciúme. Ficou maluco quando publicaram uma foto minha de biquíni. Ele era tão ciumento que me ensinou a cumprimentar as pessoas com o braço firme e esticado, para evitar que alguém tentasse beijar o meu rosto.


Veja – O presidente, então, nunca desconfiou que a senhora mantinha um relacionamento extraconjugal?
Rosane – Num certo dia, ele chegou em casa à noite e me disse que havia uma fita na qual eu aparecia falando com um rapaz. Lidei com esse problema com a verdade. A tal fita nunca apareceu. Não havia condições práticas de eu manter um caso extraconjugal. Eu era vigiada 24 horas. Talvez por um minuto isso tenha passado na cabeça dele. Não mais que isso. Mas não foi por esse motivo que ele tirou a aliança. A razão principal foi mesmo o meu trabalho na LBA. Ele queria que eu cuidasse mais da casa. Por isso, passamos três meses separados.


Veja – Logo depois da separação, a senhora teve de deixar a presidência da LBA sob denúncias de corrupção. Foi coincidência?
Rosane – Um dia, ao chegar para trabalhar, encontrei a minha sala de trabalho arrombada. Reviraram todo o gabinete. Até hoje não sei se alguém entrou lá cumprindo ordens do presidente da República. Fui absolvida de todas aquelas acusações.


Veja – A senhora disse que o presidente era muito ciumento. Ele a agrediu fisicamente alguma vez?
Rosane – Não, mas já quebrou uma mesa de madeira após uma discussão. Às vezes nem era só por ciúme. Ele tinha muita raiva do que saía na imprensa. Quando soube que VEJA publicaria a matéria com as denúncias do Pedro Collor, ele deu murros na parede e derrubou tudo o que havia sobre a sua mesa de trabalho. Disse todos os palavrões possíveis. Falou que iria se vingar e que o Pedro pagaria por aquilo.


Veja – Collor sempre se declarou um católico praticante. Mas eram fortes os rumores de que ele freqüentava terreiros de macumba. Isso chegou a acontecer?
Rosane – Aconteceu. Eu e Fernando de fato participamos de trabalhos espirituais. Alguns chegaram a ocorrer na Casa da Dinda, mas eu não gostava muito. Pedi para acabar com isso lá em casa. Aí os trabalhos começaram a ser feitos numa casa vizinha, cedida por um amigo.


Veja – Com que freqüência isso ocorria?
Rosane – Não lembro. Mas recordo que isso se intensificou no último ano de governo, quando começamos a ter mais dificuldades em Brasília.


Veja – Havia sacrifício de animais?
Rosane – Sim.

Veja – O presidente participava?
Rosane – Sim. Mas era uma coisa horrível. Nem gosto de lembrar.


Veja – A senhora chegou a freqüentar essa casa?
Rosane – Fui lá algumas vezes. Eu não gostava de assistir ao sacrifício de animais. Passava mal sempre que via sangue.Veja – Como vocês faziam para freqüentar esses cultos sem chamar atenção?
Rosane – Era sempre de madrugada.


Veja – Qual era o objetivo desses rituais?
Rosane – Fernando pedia proteção. Pedia que todo mal que alguém lhe desejasse voltasse para a pessoa que o estava amaldiçoando.


Veja – O presidente tinha mania de perseguição?
Rosane – Ele achava que sempre havia alguém querendo prejudicá-lo. Tinha muita raiva da imprensa.


Veja – É verdade que o presidente era usuário de drogas?
Rosane – Ele nunca fez nada na minha frente. Mas houve uma época em que todo mundo só falava disso. Até as minhas amigas começaram a me perguntar. Fernando apresentava alterações de humor muito bruscas. Às vezes, quando ficava bravo, ele dava socos e batia com a cabeça na parede. Uma vez ele quebrou a porta da casa da mãe por causa de um acesso de raiva. Passei a ficar desconfiada. Perguntei-lhe algumas vezes se usava drogas. Ele sempre me disse que não. Como ele gostava muito de beber, achei que poderia ser efeito da bebida.


Veja – Como era sua rotina como primeira-dama?
Rosane – Havia um lado glamouroso que era maravilhoso. Conheci príncipes e princesas, reis e rainhas, viajei pelo mundo e convivi com gente que jamais imaginaria, como a princesa Diana e a Barbara Bush. Mas também havia um lado muito difícil.


Veja – Qual é o sabor do poder?
Rosane – Ter dinheiro não é a mesma coisa que ter poder. Todo o dinheiro do mundo não poderia comprar um jantar com a princesa Diana. Eu já fui recebida em jantar por ela. Na Espanha, fomos hóspedes do rei Juan Carlos, esse que acabou de mandar Hugo Chávez calar a boca. Nos Estados Unidos, fomos hóspedes do George e da Barbara Bush. Ela sempre me mandava cartas e chegou a me enviar um livro que fez para o seu cachorrinho. Ela tinha um carinho especial por mim.


Veja – Foi muito difícil voltar a levar uma vida normal depois do impeachment?
Rosane – Conseguimos dar a volta por cima. Em Miami, pudemos levar uma vida normal. Eu e Fernando dirigíamos o próprio carro. Jogávamos tênis, estudávamos inglês, almoçávamos juntos e viajávamos bastante. Ele montou um escritório num prédio luxuoso, onde costumava passar as tardes.


Veja – Qual era, afinal, a relação entre Collor e Paulo César Farias, o PC Farias?
Rosane – Paulo César era homem de confiança do Fernando. Era ele quem cuidava de todas as questões financeiras. Ninguém entrega a tarefa de arrecadar dinheiro para sua campanha a alguém em quem não confia. Mas isso não significa que ele vivia na minha casa. Não convivíamos. Era uma relação profissional.


Veja – Collor sempre garantiu que nunca mais voltou a ver o tesoureiro PC Farias depois de tomar posse como presidente. Isso é verdade?
Rosane – Ele e Paulo César tomaram café-da-manhã juntos algumas vezes na Casa da Dinda depois da posse. Também se encontraram várias vezes fora dali.


Veja – Durante o governo Collor, uma frase de PC Farias que ficou famosa dizia o seguinte: "Madame está gastando demais". Quando a senhora descobriu que PC Farias pagava despesas pessoais da senhora e de sua família?
Rosane – Fiquei sabendo disso pelo noticiário. Eu não sabia nem o que era fantasma. É muito difícil saber que até o seu dentista é pago por outra pessoa. Fernando me dizia que nada do que estavam falando era verdade. Tudo o que eu queria o meu marido me dava. Para mim, até então, o dinheiro era dele. Ele era muito fechado sobre a relação que mantinha com o Paulo César.


Veja – Como o presidente reagiu à notícia da morte de PC Farias?
Rosane – Estávamos no Taiti. Primeiro, ele ficou chocado. Depois, ficou com muito medo de ser acusado de ter mandado assassinar o Paulo César.

Veja – Por que vocês não foram ao enterro dele?
Rosane – Nessa época, eles já tinham pouco contato. Lembro apenas de ele ter ligado para um dos irmãos se solidarizando.


Veja – A prisão de PC Farias na Tailândia deixou o presidente preocupado?
Rosane – Ficou apreensivo.


Veja – A senhora acha que Collor errou ao receber dinheiro de PC Farias?
Rosane – Eu nunca soube exatamente que tipo de acordo regulava as relações financeiras entre Fernando e Paulo César.


Veja – A senhora, então, achava que o presidente era um homem muito rico?
Rosane – Sempre achei que o Fernando fosse rico. Quando moramos em Miami, ele me deu um Porsche de presente. Tínhamos uns dez cartões de crédito. Também guardávamos dinheiro em um cofre da casa. Quando voltamos ao Brasil, continuamos vivendo maravilhosamente bem. A minha mesada era de 40 000 reais. Passávamos o réveillon em Angra dos Reis com ilha alugada, com segurança, mordomo e até helicóptero. Também costumávamos esquiar em Aspen. Com a nossa separação, em 2005, descobri que Fernando tem uma renda mensal declarada de 25 800 reais.


Veja – Entre o impeachment, em 1992, e a sua eleição para o Senado, no ano passado, o ex-presidente praticamente não trabalhou. Como ele bancava seus gastos pessoais com uma renda de 25 800 reais?
Rosane – Não posso falar sobre isso.


Veja – Estima-se que a parceria entre PC Farias e o ex-presidente tenha deixado um saldo de 60 milhões de dólares em contas secretas no exterior. A senhora tem alguma idéia de onde foi parar esse dinheiro?
Rosane – Não posso falar sobre isso.


Veja – A senhora acredita que o presidente tenha contas secretas no exterior?
Rosane – Não posso falar sobre isso.


Veja – A senhora não pode responder porque não sabe ou porque tem medo de sofrer alguma retaliação?
Rosane – Não posso falar sobre isso.

Sunday, December 02, 2007

Amor demais estraga - Veja 1805-04/06/2003



O psiquiatra Içami Tiba diz que os pais precisam ser duros para manter os filhos longe das drogas

Quando o assunto é o consumo de drogas entre os jovens, o psiquiatra paulista Içami Tiba, de 62 anos, não tem meias palavras. No livro Anjos Caídos, ele descreve uma dezena de disfarces, sete comportamentos suspeitos e mais de vinte respostas que jovens usam para convencer adultos de que não fumam maconha. Esse estilo direto às vezes pode render dissabores. Tiba está sendo processado por ter qualificado o campus da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo como um "antro de maconha", em uma entrevista. Ele não volta atrás no que disse e acredita que falam a seu favor 34 anos de profissão, 70 000 atendimentos psicoterápicos e 2 500 palestras mundo afora, além de catorze livros, com 600 000 exemplares vendidos. O último – Quem Ama, Educa! (Editora Gente) – está na 31ª edição.

Tiba aplicou suas teorias na criação de três filhos, um advogado, uma psicóloga e uma estudante de direito. Nesta entrevista, ele dá sua receita para o sucesso na educação das crianças. Isso inclui, ele adverte, evitar manifestações de "amor em excesso".

Veja – O senhor está sendo processado por ter dito que a PUC paulista é um "antro de maconha"...
Tiba – É verdade. Reconheço que se trata de uma respeitável instituição científica, mas não posso concordar com a filosofia de não reprimir o uso de drogas que vigora lá. Há, sim, uma cultura de fumar maconha nos corredores do campus, como se fosse a coisa mais comum do mundo. Eu mesmo testemunhei isso, pois fui professor lá durante quinze anos. Além disso, tenho pacientes que estudam lá e dizem o mesmo. Como médico, não posso falsear esse diagnóstico.

Veja – O episódio da estudante baleada numa universidade carioca tem relação com a penetração das drogas nas escolas?
Tiba – Os traficantes descobriram que a melhor maneira de disseminar a droga na sociedade é através da escola. Dali o jovem a leva para dentro da família e para o grupo de amigos. As escolas de ensino médio, sobretudo, tornaram-se um ótimo mercado. O traficante nem se expõe. Em praticamente todas há os minitraficantes, pessoas que se infiltram no meio dos alunos a serviço dos grandes. Às vezes são recrutados entre os próprios estudantes e recebem mais de 800 reais por mês. Há também muitos microtraficantes, alunos que pegam dinheiro dos colegas para comprar a droga e depois a distribuem. Não é preciso subir no morro nem ir à boca-de-fumo. A droga pode ser adquirida logo ali, na barraquinha ao lado da escola.

Veja – Muitos pais que experimentaram maconha são tolerantes com os filhos que repetem essa experiência porque não acreditam que ela seja porta de entrada para drogas mais pesadas.
Tiba – Na minha interpretação, ela é, sim, porta de entrada para drogas mais pesadas. Mas a porta para o vício é mesmo o álcool. A primeira coisa que o álcool faz na pessoa é diluir seu superego, instância da personalidade que agrega, entre outros, os padrões comportamentais. A partir daí, o indivíduo faz apenas coisas de que tem vontade e não o que aprendeu que deve ser feito. Tem extrema dificuldade para fazer a coisa certa. Esbarrou, já quer brigar, não agüenta desaforos, fica violento. O jovem que já estava pensando em experimentar maconha, e não tinha coragem, quando ingere bebidas alcoólicas vai provar, pois aquele freio foi destruído pelo álcool. Como a maconha despersonaliza a pessoa, daí para a cocaína é um passo.

Veja – Mas o que devem fazer pais que provaram maconha e não se viciaram? Há os que fumam com os filhos e há os que proíbem.
Tiba – Fumar com eles, nem pensar. Senão depois vão jogar na cara dos pais que se viciaram por culpa deles. Os pais têm de falar que são contra, que tiveram sorte de não ter se viciado. Quando possível, citar exemplos de conhecidos que se prejudicaram muito, ou até morreram, por causa da droga. É preciso ser duro e proibir. A proibição pode não evitar que eles fumem, mas saberão que estão agindo contra a vontade dos pais. Quanto a estes, pessoas que no passado fumaram maconha e se deram bem na vida em geral não deixaram que a droga atrapalhasse a vida delas. São comparáveis a pilotos de Fórmula 1 que não morreram, apesar do risco que correm nas pistas. Paulo Coelho, Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso, que admitem ter experimentado maconha, tornaram-se pessoas bem-sucedidas, mas são sobreviventes, assim como quem pratica esportes perigosos e não morre. Por outro lado, há quarenta anos, fumar maconha não era o objetivo em si. Fumava-se maconha e se queimavam sutiãs como forma de transgressão. Hoje, o uso da maconha é totalmente diferente. A maconha não é mais bandeira de coisa alguma. É comum ouvir papo furado do tipo "Fumo maconha porque sou livre". Está errado, pois quem é livre não precisa usar drogas.

Veja – O senhor é a favor da descriminação da maconha?
Tiba – Não. O Brasil não está preparado para uma medida tão radical. Não sou a favor de ficar prendendo usuários, mas também não sou a favor de liberar geral, pois, se os caras estão se perdendo com cerveja, imagine com maconha.



Veja – Por que o senhor diz que amor em excesso pode gerar filhos drogados?
Tiba – O amor sem limites deixa que se desenvolva demais o lado animal e instintivo do jovem, que passa a fazer apenas aquilo de que tem vontade. Para esse jovem, o que interessa é o prazer. A maioria dos pais faz de tudo para agradar aos filhos e eles aprendem a ter prazer sem fazer nenhum esforço. Aí, quando vão para a rua, logo encontram quem lhes ofereça um baseado, uma dose de prazer.

Veja – Quando os pais devem começar a desconfiar que o filho está usando drogas?
Tiba – A maioria só desconfia quando a performance do filho na escola piora. Aí, pode ser tarde demais, pois o rendimento escolar é uma das últimas máscaras a cair. Antes, já caiu a ética relacional, que se traduz na falta de respeito às pessoas. Há também uma diminuição do afeto. Antes, ele se mobilizava para ajudar os pais a resolver pequenos problemas, ficava preocupado quando a mãe tinha uma dor de cabeça. Depois, o mundo pode desabar que ele não está nem aí, como se fosse um pensionista da casa.

Veja – Como identificar os primeiros sinais dessa situação?
Tiba – Além do comportamento suspeito que já citei, há outros disfarces fáceis de ser percebidos. Em geral, usar incenso, perfumar o ambiente ou deixar o chuveiro ou o ventilador ligados o tempo todo são estratégias para acabar com a marofa, a fumaça da maconha. Deve-se prestar atenção também na fala dos filhos. Se o garoto começa a se preocupar muito com os horários de saída e chegada dos pais, é outro sinal de que pode estar aprontando alguma. É suspeito ainda quando o jovem diz que "todo mundo está usando maconha", numa tentativa de minimizar o problema. Na verdade, isso significa que ele está andando com usuários. Quando o jovem começa a dizer que maconha faz menos mal que outras drogas, então é porque já se tornou, ele próprio, um usuário. Ninguém defende o que não lhe interessa.

Veja – É possível blindar os filhos contra as drogas?
Tiba – A melhor proteção é criar condições para que ele tenha auto-estima e, desde cedo, informá-lo sobre os malefícios das drogas. Os pais não têm como controlar a vida do adolescente, mas devem patrulhar o filho quando houver motivo para desconfianças. O jovem se fechar no quarto, por exemplo, é natural. Está querendo privacidade. Mas, se tranca a porta, está colocando os pais para fora da vida dele. Privacidade a chave é expulsão dos outros. Isso os pais não podem permitir.

Veja – Em seu último livro, o senhor afirma que educar é diferente de criar. Qual a diferença?
Tiba – Os pais que educam têm como foco preparar os filhos para a vida. Os que criam acham que resolvem os problemas para eles. A maioria dos pais demora para fazer os filhos assumir responsabilidades. Por isso, é comum encontrar jovens que, apesar de bem-criados e bem nutridos, são mal-educados. São adolescentes que diante de qualquer situação adversa desistem ou partem para a ignorância.

Veja – Que valores os pais devem inculcar nos filhos?
Tiba – Os principais são disciplina, gratidão, religiosidade, cidadania e ética. Por exemplo, quando o pai dá um presente ou mesmo um bombom ao filho e ele sai correndo sem dizer um "obrigado", ou o diz sem olhar nos olhos, não vale. Tem de ser incisivo: "Filho, olhe nos meus olhos e agradeça". Assim mesmo, na bucha. Essa postura de cobrança pelos mínimos bons costumes, se for constante, vai surtir um efeito para a vida inteira.

Veja – O bom exemplo dos pais influencia também na formação ética?


Tiba – A maneira como o filho trata uma empregada é uma cópia fiel da forma como seus pais a tratam. Se o pai ou a mãe fala "Vamos rezar" e quando sai da igreja já xinga um transeunte, dá o direito de o filho questionar: "Então a espiritualidade só vale dentro da igreja?". Não adiantam apenas exemplos de boa conduta. Muitas vezes, o filho joga algo no chão e o pai pega, achando que está sendo exemplar. Está errado, pois o que o pai tem de fazer é obrigar o filho a pegar. De outro modo, ele vai achar-se no direito de jogar papel no chão da escola e não apanhar. Afinal, essa função é da faxineira.

Veja – O que o senhor entende por religiosidade é freqüentar igreja?
Tiba – É um sentimento instintivo do ser humano, que precede as religiões. Significa gente gostar de gente. Hoje em dia se valoriza muito pouco o respeito ao outro, independentemente do credo. Quando o filho maltrata o pai e este engole o mau trato sem reagir, dá uma grande lição de não-religiosidade. Quando o filho quebra um copo num momento de raiva, é comum o pai dizer: "Eu sei que você não fez por querer". Ao invés de poupá-lo e tirar a culpa do filho, o certo é fazer com que ele arque com as conseqüências de seu ato.

Veja – Adianta castigar ou cortar a mesada?
Tiba – Mais do que cortar a mesada, o importante é fazê-lo repor o que quebrou. Tirar dinheiro é muito fácil. O filho tem de se dar ao trabalho de comprar um copo igual no lugar do próximo brinquedo, por exemplo. É uma forma de chamá-lo a assumir a conseqüência pelo ato praticado. Castigo não resolve coisa alguma. Se aqueles rapazes de Brasília que queimaram o índio Galdino, em vez de presos, tivessem sido condenados a trabalhar durante um ano na seção de queimados de um hospital, o efeito pedagógico seria muito melhor. Na cadeia, até gozam de certas mordomias. Não devem ter aprendido nada lá.

Veja – Têm-se visto muitos casos de atrocidades cometidas por jovens de classe média, como alguns que mataram os pais. O que são esses casos?


Tiba – Quando um filho chega ao ponto de atentar contra a vida dos pais, o respeito já se perdeu faz tempo. Ninguém que ama mata assim de repente, por impulso. Essa tese é desculpa de advogado. A situação já estava complicada. Tanto que aquele pai que matou o filho em São Paulo, há dois meses, alegou legítima defesa e obteve o apoio da família. Imagine, nem a mãe lamentou que o pai tenha matado o filho! O rapaz já estava em um estágio tão ruim que seu pai se viu em um triste dilema: era matar ou morrer. Boa parte da culpa nesses casos é dos pais, que, incompetentes para dar uma boa educação, tentam compensar arcando com as conseqüências das besteiras cometidas pelos filhos.

Veja – Nesses casos, dá para dizer que a droga foi o principal combustível?


Tiba – Há uma corrente, com a qual eu não concordo, que defende que a droga apenas desperta o assassino que a pessoa tem dentro de si. Eu acho que não é assim. Quando começam a usar drogas, as pessoas perdem a ética. Depois, têm a afetividade alterada, piora o rendimento escolar e, só aí, o organismo começa a ser atingido. Os bons princípios são devastados bem antes pelas drogas, e a pessoa passa a pensar que pode tudo. Poder sem ética vira violência.

Veja – As teorias que o senhor prega foram colocadas em prática na educação de seus filhos?
Tiba – Meus filhos não funcionaram como laboratório nem cobaia para minhas teorias, mas eu e minha esposa nos empenhamos bastante para torná-los capazes de enfrentar bem a vida. Em casa, nunca entregamos nada pronto para eles. Nosso lema sempre foi: "Quem sabe fazer aprendeu fazendo". Criamos uma espécie de contrato de conseqüência, ou seja: se produziam ou agiam bem, eram recompensados pelo esforço feito. Se não, sofriam a conseqüência.

Veja – O senhor os colocava de castigo? Batia neles?
Tiba – Não os castigava. Eu os ensinei a arcar com o ônus e o bônus de seus atos. Também nunca bati, mas, às vezes, quando algum fazia muita birra, eu dava uns gritões na orelha dele e estabelecia um prazo para ele mudar de idéia.

Saturday, December 01, 2007

Josef Ganz - Um ilustre desconhecido


Aquela velha historia, de que foi Ferdinand Porsche, que projetou o “Volkswagen”, a cada dia é mais contestada. Alem do caso Hans Ledwinka/Tatra, agora temos a publicação de uma biografia de Josef Ganz, projetista de origem judaica, responsavel pelos projetos do Bungartz Butz, bem como do Standard Superior. Este último, foi o primeiro carro, onde a expressão “Volkswagen” teve o seu batismo. Era equipado com motor bicilindrico “dois tempos” refrigerado a agua, com opçao de 400cc/12 hp, ou 500cc/16 hp., localizado tambem na traseira, em conjunto com o cambio. O chassis utilizava o sistema já em voga na Tatra, com uso de um tubo central, onde era soldada a plataforma e suspensões. As dimensões gerais do carro eram de 3,30 m.x 1,40, com distancia entre eixos de 2,00 m. Utilizava pneus aro 26 x 3,5. Apesar do contido peso de apenas 490 kg., conseguia a proeza de carregar 2 passageiros adultos e 2 crianças, padrão mínimo, e altamente aceitavel para a época. Suas linhas eram extremamente aerodinamicas, sendo contemporaneas as do famoso Chrysler Airflow.

Josef Ganz, alem de projetista, era também renomado jornalista do periódico Motor-Kritik. Suas atividades foram alvo de perseguições por parte do regime nazista então vigente, tendo o mesmo se exilado primeiramente na Suiça, e posteriormente na Austrália, onde exerceu atividades na Holden. Desapareceu incógnito em 1967.

Informações adicionais, e fotos de outros protótipos, podem ser consultadas no link abaixo, em polonês:
http://pollak-presse.tatraportal.sk/Automobilia/Ganz%20konstrukter%20VW.pdf

Sunday, November 25, 2007

Ato de fé

O que penso:
Ensinar e aprender.Duas faces de uma mesma moeda.
Troca de conhecimentos, de experiências, de sentimentos.
Conviver para trocar, interagir, enriquecer-se mutuamente. É assim que vejo e sinto minha vida de professor, na qual ensino e aprendo diariamente. E isso me entusiasma, me faz crer e ter esperança, nas pessoas, em nosso país,pois estamos sempre construindo a nossa identidade e também a deste país. É uma obra aberta, que cada dia recebe um acréscimo que se torna visível a medida que as dificuldades e injustiças diminuem e a educação muda a face de tudo.
Esta esperança muito forte tem suas raízes na minha família de imigrantes alemães, que atravessaram mares por acreditarem numa vida melhor.
Ensinar este idioma, o alemão, estereotipasdo como uma lingua fria e difícil significa também desconstruir preconceitos, abrir portas para a literatura e culturas alemãs,construir, pois, pontes entre culturas. Tudo isto num contexto maior, o da Educação deste páis, onde a diversidade dá o tom.
Fazer parte deste fundamental trabalho de construção pela Educação me enche de orgulho e alegria, que tento passar para cada aluno, cada dia, alunos agora professores de idiomas, meus colegas.
Passo a eles ,agora, as palavras de uma antiga canção alemã - já que sempre cantamos em nossas aulas- que minha mãe me ensinou e que fala da alegria de colher os bons e belos frutos da vida e de aceitar, com sabedoria, os revezes e sofrimentos.

"Freut euch des Lebens
Solange das Lämpchen glüht,
Pflücket die Rose,
Bevor sie verblüht.

Ein Herz, as sich mit Sorgen quält
Hat selten frohe Stunden
Drum glücklich ist, wer vergisst
Was einmal nicht zu ändern ist"

Alegrem-se com a vida
Enquanro a lamparina estiver acesa
Colham a Rosa
Antes que ela feneça

Um coração cheio de preocupações
Raramente vive horas felizes
Pro isso feliz é aquele
Que esquece o que não pode ser mudado

Spielwerk

Monday, November 12, 2007

Die Geschichte eines Heimatliedes





"Im schönsten Wiesengrunde", dieses Lied ist aus unserem Schatz an Volksliedern nicht wegzudenken, es ist unser Heimatlied. Wann immer die Stimmung einen Höhepunkt erreicht hatte, sei es bei Geburtstagen, Klassenfeiern, Hochzeiten oder sonstigen Zusammenkünften (außer Gemeinderatsitzungen), es fand sich immer irgendjemand, dieses Lied anzustimmen. Uralte Heimatliebe und Romantik wird aus der Versenkung geholt. Was ist aber davon noch übrig geblieben?

Die Hektik des Alltags, die fast ungestillte Lust in fernsten Ländern Eindrücke und Erlebnisse zu sammeln ist "in". Das Medium Fernsehen hilft uns auch noch dabei. Dabei sagen viele, die in die Fremde gingen, dass bei ihnen die Liebe zur Heimat viel ausgeprägter ist, als bei den Dagebliebenen.

Der geniale Geist von Weimar versuchte uns einst zu sagen: "Warum in die Ferne schweifen, sieh das Gute liegt so nah." Vielleicht dachte Wilhelm Ganzhorn genau so, als er im Jahre 1850 sein Gedicht, "Das stille Tal" zu Papier brachte.

Im Gasthaus "Rößle" in Conweiler, in der sog. "Dichterecke", findet man die Quelle des Liedes
"Im schönsten Wiesengrunde."

Hier hat der junge Amtsgerichtsreferendar Wilhelm Ganzhorn dieses Lied niedergeschrieben, als er von Neuenbürg nach Aalen versetzt wurde. Er durchwanderte in Gedanken versunken Schwann und Conweiler, um im Rössle einzukehren, denn das Wirtstöchterlein war seine Braut. Er nächtigte in besagter Dichterecke, und seine Braut fand am nächsten Morgen einen Abschiedsgruß vor, unser Heimatlied. Es sind 13 Verse, man singt jedoch nur die Verse 1,12 und 13. Die Melodie stammt aus der Feder Friedrich Silchers. Am 18.01.1855 heiratete Wilhelm Ganzhorn seine Braut Jacobine Luise Alber in der Kirche zu Feldrennach. Der Wunsch des Dichters, in Tales Grunde begraben zu werden, ging nicht in Erfüllung. Er verstarb 1880 als Oberamtsrichter in Cannstatt. An seinem Grabe erklang sein bereits zum Volkslied gewordenes Lied "Im schönsten Wiesengrunde".

Viele andere Orte mit Wiesentälern wollten sich dieses Lied schon zu eigen machen , doch Ganzhorn antwortete hierauf zu Lebzeiten sehr deutlich, dass es sich unmissverständlich um das Tal hinter dem "Rössle" in Conweiler handelt. Hiermit hat er sich und der Gemeinde Conweiler ein ewiges Denkmal gesetzt.

Im Jahre 2000 fanden sich Förderer, die Ihm zu Ehren eine Büste stifteten, die ihren Platz am Ortseingang von Conweiler aus Richtung Schwann kommend fand.

Hier nun alle 13 Verse des Gedichtes
"Das stille Tal" von Wilhelm Ganzhorn:

1.
Im schönsten Wiesengrunde
ist meiner Heimat Haus.
Da zog ich manche Stunde
ins Tal hinaus.
:Dich mein stilles Tal,
grüß ich tausendmal!
Da zog ich manche Stunde
ins Tal hinaus:

2.
Wie Teppich reich gewoben
steht mir die Flur zur Schau:
O Wunderbild und oben
des Himmels blau.
:Dich, mein stilles Tal:

3.
Herab von sonn´ger Halde
ein frischer Odem zieht;
es klingt aus nahem Walde
der Vögel Lied.
:Dich mein stilles Tal:

4.
Die Blume winkt dem Schäfer
mit Farbenpracht und Duft;
den Falter und den Käfer
zu Tisch sie ruft.
:Dich mein stilles Tal:

5.
Das Bächlein will beleben
den heimlich stillen Ort;
da kommt´s durch Wiesen eben
und murmelt fort.
:Dich mein stilles Tal:

6.
Das blanke Fischlein munter
schwimmt auf und ab im Tanz,
rings strahlen tausend Wunder
im Sonnenglanz.
:Dich mein stilles Tal:

7.
Wie schön der Knospen springen
des Taus Kristall im Licht!
Wollt ich es alles singen;
Ich könnt es nicht.
:Dich mein stilles Tal:

8.
Kommt, kommt der Tisch der Gnaden
winkt reichlich überall;
kommt all seid ihr geladen
ins stille Tal.
:Dich mein stilles Tal:

9.
Wie froh sind da die Gäste,
da ist nicht Leid noch Klag;
da wird zum Friedensfeste
ein jeder Tag.
:Dich, mein stilles Tal:

10.
Wie sieht das Aug so helle
im Buche der Natur!
Der reinsten Freuden Quelle
springt aus der Flur.
:Dich mein stilles Tal:

11.
Hier mag das Herz sich laben
am ew´gen Festaltar;
kommt bringet Opfergaben
mit Jubel dar.
:Dich, mein stilles Tal:

12.
Müßt aus dem Tal jetzt scheiden,
wo alles Lust und Klang,
das wär mein herbstes Leiden,
mein letzter Gang.
Dich, mein stilles Tal,
grüß ich tausendmal.
Das wär mein herbstes Leiden,
mein letzter Gang.

13.
Sterb ich, in Tales Grunde
will ich begraben sein;
singt mir zur letzten Stunde
beim Abendschein.
:Dir, o stilles Tal,
Gruß zum letzten Mal.
Singt mir zur letzten Stunde
beim Abendschein.

Thursday, November 08, 2007

Bergvagabunden - Die Beste

Wenn wir erklimmen sonnige Höhen, klettern dem Gipfelkreuz zu,
In unser'm Herzen brennt eine Sehnsucht, die läßt uns nimmer in Ruh.
Strahlende Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.



Mit Seil und Haken, alles zu wagen, hängen wir in steiler Wand.
Herzen erglühen, Edelweiß blühen, vorwärts mit sicherer Hand.
Strahlende Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.



Fels ist bezwungen, frei atmen Lungen, ach, wie so schön ist die Welt !
Handschlag, ein Lächeln, Mühen vergessen, alles auf's beste bestellt.
Strahlende Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.



Im Alpenglühen heimwärts wir ziehen, Berge, sie leuchten so rot.
Wir kommen wieder, denn wir sind Brüder, Brüder auf Leben und Tod.
Lebt wohl, ihr Berge, sonnige Höhen, denn Vagabunden sind treu, ja treu
Lebt wohl, ihr Berge, sonnige Höhn denn Vagabunden sind treu,



Wenn wir marschieren, durch unser Städtchen, schauen die Mädchen uns zu.
Durch diese Frauen ist nicht zu trauen, rauben unser Herzen die Ruh.

Wer'n endlich g'scheiter, pfeifen auf die Weiber,
Steigen nur dem Hochgebirge zu, ja, zu; zu.
Wer'n endlich g'scheiter, pfeifen auf die Weiber,
Steigen nur dem Hochgebirge zu.



Steinschlag, ein Brausen, weg war die Jausen, und ich werd' fuchsteufelswild;
Denn mit den Augen können wir schauen, was unser Magen verliert, Ja ja.
Strahlende Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.

Tuesday, November 06, 2007

Treue Bergvagabunden

Wenn wir erklimmen schwindelnde Höhen, steigen dem Gipfelkreuz zu,
in unseren Herzen brennt eine Sehnsucht, sie läßt uns nimmermehr in Ruh.


Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.


Mit Seil und Hacken den Tod im Nacken, hängen wir an der steilen Wand.
Herzen erglühen, Edelweiß blühen, vorbei geht's mit sicherer Hand.

Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.

La Montanara und Fudschijama, Berge sind überall schön.
Gletscher und Sonne, Herzen voll Sonne, herrlich die Sterne zu sehen.

Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.

Beim Alpenglühen, heimwärts wir ziehen, Berge die leuchten so rot.
Wir kommen wieder, denn wir sind Brüder, Brüder auf Leben und Tod.

Lebt wohl, ihr Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind treu, ja treu.
Lebt wohl ihr Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind treu.



Oder so...


Bergvagabunden
Text: Erich Hartinger Musik: Volksweise
Wenn wir erklimmen schwindelnde Höhen, steigen dem Berggipfel zu,
in unsern Herzen brennt eine Sehnsucht, die läßt uns nimmermehr in Ruh.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.


Mit Seil und Haken alles zu wagen, hängen wir in Steigerwand.
Wolken die Ziehen, Edelweiß blühen, wir klettern mit sicherer Hand.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.


Fels ist bezwungen, frei atmen Lungen, ach, wie so schöön ist die Welt!
Handschlag, ein Lächeln, Mühen vergessen, alles aufs beste bestellt.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir, ja wir.
Herrliche Berge, sonnige Höhen, Bergvagabunden sind wir.


Beim Alpenglühen heimwärts wir ziehen, Berge, die leuchten so rot.
Wir kommen wieder, denn wir sind Brüder, Brüder auf Leben und Tod.
Lebt wohl, ihr Berge, sonnige Höhen, Bergkammeraden sind treu, ja treu.
Lebt wohl, ihr Berge, sonnige Höhen, Bergkammeraden sind treu.

Wednesday, July 25, 2007

EINE GESCHICHTE VOM MAINE KOMPODA PIO RAMBO

IN DE ESCHULE

Das war eine tag wo di lehring di eschuler gefragt habt was des körpes pedaßen der erst in der Himmel entriert.
Da ware di alle ruich, bis zum finalen der kleine Jwonzinhen fon dem fundos des classe der finger gelevantiert habt.
Da sagt di lehring:
- Nach, Jwonzinhen, was is des pedaßen des körpen wo der erst in der Himmel kimmt?
Er antwort:
- di pezinhen!
- Dja wi so di pezinhen Jwonzinhen? Wer habt es dir so geensiniert?
- Niemand! - gerrespondiert er. - Ich habe es persehnlich gesehen.
- Och was? Persehnlich? Explikier es mir dan mal! - Sagt di lehring. Er sagt da:
- Ai gester abend, wi ich am adormecieren war, da habt meine mutter gegritiert: "Ich komme in der Himmel! Ich komme in der Himmel! ... Noch en pouquinhen, komme ich in der Himmel!"
Da bin ich apavoriert gefikiert und sind expiere gegang in die fechadure buraque des zimmer meine elteren. Da sehe ich meine mutter mit der tswai pezinhen esticaden zum Himmel un war das am gritieren. Zum glück habt meine papa auf si in meien seine pernen gelegt und si geseguriert, wenn net, wärt sie com certezen zum himmel gepuxiert gieb!